A primeira vez que entrou no seu escritório, ela usava uma blusa vermelha de tecido leve que deixava perceber o contorno dos seios bem modelados e a proeminência de uma barriga mal comportada, o coque preso na nuca começava a se desfazer e um mecha de cabelo escorregava sobre o rosto. Ao entrar, quase tropeçou no tapete, reequilibrou-se, olhou o próprio salto alto com ar de desdém. Nitidamente irritada, ela declarava sua intolerância à toda forma de burocracia mas mantinha a voz macia e ponderada enquanto apareciam pequenas marcas de expressão trasnversais na fronte. Reparou ainda nas unhas bem feitas e em um delicado anel de rubi que trazia no anular direito. Imaginou se seria uma advogada e segurou um riso de ironia ao se lembrar da desabafo sobre burocracias.
Era tão comum ser o alvo desses arroubos de raiva cujo motivo ele não poderia ser culpado, ao contrário, esforçava-se arduamente, mediante bons pagamentos, para resolve-los que agora já não se importava mais. Riu discretamente ao perceber o esforço que ela fazia para manter a explosão de raiva de forma controlada e, percebeu que seu riso havia sido notado ao sentir o olhar de fúria que lhe foi lançado. Fingiu não notar, controlou-se, disfarçou e calmamente continuou tentando lhe explicar qual era o problema. Ela não pretendia entender. Dizia ter referências suficientes sobre sua competência e confiabilidade profissional e repetia: Faça o que tiver de ser feito! Faça o que tiver de ser feito!
Era uma mulher bela sem dúvida mas, de uma beleza comum. O que o agradou foi o desconforto na forma elegante sobre o salto alto, a aparência pouco natural da maquiagem bem feita, o corpo que pedia algodão sob a seda importada. O que amou, foi aquela nítida falta de adaptação ao que tentava demonstrar ser.
De tempos em tempos: meu pequeno universo de desabafos e alucinações; a persistência de meus sonhos de poesia, o escape da racionalização e incoerência maçantes, meu espelho da contínua revolução pessoal.
sábado, novembro 8
domingo, outubro 26
Uma semana e três encontros
Em uma semana e três encontros você fez parte de minha vida inteira e eu já não conseguia me lembrar de como era antes de você. No primeiro dia eu não sabia o que esperar, no segundo me deixei apaixonar e no terceiro tive a assustadora sensação de que teu cheiro fazia parte de mim.
Em uma semana e três encontros eu te conhecia desde a muito e a cumplicidade das risadas me agradava. A conversa não seria mais natural para antigos amigos e melhores histórias não seriam compartilhadas por irmãos.
Em uma semana e três encontros você me amou e quando me tocou parecia fazer do meu corpo tua casa e nela conhecer todos os esconderijos.
Em uma semana e três encontros eu te amei por toda a minha vida.
Em uma semana e três encontros eu te conhecia desde a muito e a cumplicidade das risadas me agradava. A conversa não seria mais natural para antigos amigos e melhores histórias não seriam compartilhadas por irmãos.
Em uma semana e três encontros você me amou e quando me tocou parecia fazer do meu corpo tua casa e nela conhecer todos os esconderijos.
Em uma semana e três encontros eu te amei por toda a minha vida.
sábado, outubro 11
By Li - Novas pessoas surgindo e me lembrando a magia dos encontros e dos desencontros...
"Cigarras são bichos interessantes, não havia pensado como se protegem e se mostram ao mesmo tempo. Mas só cantam no fim da tarde.
E também trocam a pele.
Como nós..."
E também trocam a pele.
Como nós..."
quarta-feira, outubro 8
Amiga Irmã

Eu chorei quando você me chamou de amiga-irmã.
Sei que não deves ter notado afinal, não chorei com lágrimas que molhassem o rosto, chorei com o sentimento que afoga a alma... E como sabes, quase melhor que eu mesma, aprendi a disfarçar com sorrisos minhas piores dores, mas, felizmente, agora, com sorrisos também, demonstro alegrias. Naquele momento eu não esperava e não podia compreender tal declaração. Tentei imaginar a dimensão do seu significado e quis te dizer que não, que eu não podia... mas de tão atordoada, as palavras não se formulavam e amordaçada pela emoção, me calei.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
Você não sabe mas, por vários dias essas palavras ecoaram de forma ensurdecedora e te digo, que ainda ecoam embora agora, suavemente. Me senti tão orgulhosa mas, foi tamanha responsabilidade que quase não suportei o peso. O que sei também é que apesar de ter medo, a honra de tal título fez me aquele dia a mais feliz das amigas e... das irmãs.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
Sei e sinto o que é o “querer bem” de um irmão... A deliciosa sensação de segurança deste amor. É como se, apesar de crescer, viver, escolher, discordar, destoar mantivéssemos sempre os laços traçados no início da nossa existência. Ser irmão é dispensar quaisquer outros tipos de afinidades e respeitar qualquer diferença.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
Ser amigo por sua vez, de tal complexidade é que não me atreveria a tentar explicar logo a ti, com minhas mal sucedidas palavras embora, possa compreender perfeitamente a nobreza do significado. É que, (faça me o obsequio de perdoar o lugar comum) ser amigo é optar. É, em um universo infinito de pessoas, escolher uma a quem amar e com quem compartilhar. É receber o grande prêmio da loteria de no meio de toda essa gente, se encontrar uma alma aparentada.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
Amiga-irmã é que me atordoa. De tão grande e tão belo me parece inatingível! E, de tanto pensar lembro me como fostes capaz de se doar. Doaste a ti e quando me senti sozinha me cedeu teus próprios amigos. Quando não tive casa, me deste a tua e para que me sentisse mais a vontade me emprestaste tua família. Quando quis chorar passou a mão em minha cabeça ainda que para isso, segurasse as próprias lágrimas. Quando errei, me disse a verdade e, me ensinou limites. Quando fez piadas, me transmitiu por olhar seu segundo sentido e me ensinou a tentar te entender ainda que sem palavras. Quando querias dormir, me fez companhia. Quando querias sim, disse que não e quando queria não, disses que sim. De vez em quando me mostrou que eu era ridícula. Amou junto comigo e depois teve raiva também. Sonhou os meus mesmos sonhos embora pra ti não fizessem sentido.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
O que te digo agora minha querida é que espero, modestamente, fazer jus ao posto. E admiro-te uma vez mais: por agora ter colocado nome ao que és tu para mim: minha amiga-irmã!
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da série - mulheres da minha vida
domingo, outubro 5
Contos Inacabados - Parte I
Já o encontrara algumas vezes mas, apesar de sempre o ter visto nunca o havia notado.
Não o fizera por pretensão mas, por distração mesmo. A mesma distração que a guiava em todas as atividades desinteressantes do cotidiano e lhe permitia poupar sua concentração para o que realmente importava. No entanto, aquele dia, percebeu que talvez sua atenção fosse, ao contrário do que imaginava, mais perspicaz do que ela mesmo. De repente, se deu conta de que sempre reparara... Reparara no tom de voz controlado, reservado e ameno; as palavras educadas e impessoais; o cheiro de perfume convenientemente agradável, o sorriso apropriado, o olhar direto mas algo vazio. Reparara nas unhas cortadas e limpas; a camisa de corte adequado e bem passada com seus punhos abotoados e a gola engomada; os sapatos sociais perfeitamente limpos.
Entrou despretensiosamente no escritório, trajando sua própria carapaça de boa moça afim de resolver algum tipo de problema do qual não se lembraria em breve.
Ele estava ocupado. Notou em sua mesa alguém, em quem não reparou, e que era atenciosamente atendido. Resolveu tomar um café enquanto aguardava. Não tinha a intenção mas, viu algo: a barba por fazer, algum grau de boêmia mal disfarçada.Olhou com mais atenção e, sim, não se enganara: a barba por fazer! Desistiu do café, ficou intrigada, olhou mais uma vez... Ele coçava o rosto, incomodado pela falta de costume dos pelos diariamente cortados e que em vingança agora o martirizavam. Tentou prestar mais atenção, procurou olheiras de noite mal dormida, resquícios de conversas interessantes, um brilho no olhar que o traísse, um sinal de saudade nos lábios, mas, nada! Só a barba por fazer. Ainda assim, não lhe restava dúvidas: era um sinal claro da liberdade daquela alma rebelde que o traía agora na barba por fazer. A surpresa a paralisava. Como não percebera antes?! E agora, era tão óbvio: reconhecia-o! Súbito, reconhecia-o sob a farsa do bom comportamento diário a mascarar algo que ia além disso. E, era a estratégia tão semelhante a sua própria que a enganou em todos os encontros que se passaram. Sentiu raiva, raiva porque mesmo agora, que lhe era tão clara a percepção de que ele não era o que mostrava ainda assim, restava o mistério do que então, ele seria de fato. Isso ela não conseguia saber. Perplexa continuava a olhar, na esperança de que os pelos da barba não cortados lhe contassem algum segredo a mais. Bom dia Senhora, em que posso lhe ser útil? Passei para assinar os documentos que ainda faltam. Aqui estão. Certo. Aceita um café ou uma água. Não, obrigada, já terminei. Vou tentar resolver isso o mais rápido possível. Tenho certeza disso, tenha uma boa tarde! Boa tarde!
Não o fizera por pretensão mas, por distração mesmo. A mesma distração que a guiava em todas as atividades desinteressantes do cotidiano e lhe permitia poupar sua concentração para o que realmente importava. No entanto, aquele dia, percebeu que talvez sua atenção fosse, ao contrário do que imaginava, mais perspicaz do que ela mesmo. De repente, se deu conta de que sempre reparara... Reparara no tom de voz controlado, reservado e ameno; as palavras educadas e impessoais; o cheiro de perfume convenientemente agradável, o sorriso apropriado, o olhar direto mas algo vazio. Reparara nas unhas cortadas e limpas; a camisa de corte adequado e bem passada com seus punhos abotoados e a gola engomada; os sapatos sociais perfeitamente limpos.
Entrou despretensiosamente no escritório, trajando sua própria carapaça de boa moça afim de resolver algum tipo de problema do qual não se lembraria em breve.
Ele estava ocupado. Notou em sua mesa alguém, em quem não reparou, e que era atenciosamente atendido. Resolveu tomar um café enquanto aguardava. Não tinha a intenção mas, viu algo: a barba por fazer, algum grau de boêmia mal disfarçada.Olhou com mais atenção e, sim, não se enganara: a barba por fazer! Desistiu do café, ficou intrigada, olhou mais uma vez... Ele coçava o rosto, incomodado pela falta de costume dos pelos diariamente cortados e que em vingança agora o martirizavam. Tentou prestar mais atenção, procurou olheiras de noite mal dormida, resquícios de conversas interessantes, um brilho no olhar que o traísse, um sinal de saudade nos lábios, mas, nada! Só a barba por fazer. Ainda assim, não lhe restava dúvidas: era um sinal claro da liberdade daquela alma rebelde que o traía agora na barba por fazer. A surpresa a paralisava. Como não percebera antes?! E agora, era tão óbvio: reconhecia-o! Súbito, reconhecia-o sob a farsa do bom comportamento diário a mascarar algo que ia além disso. E, era a estratégia tão semelhante a sua própria que a enganou em todos os encontros que se passaram. Sentiu raiva, raiva porque mesmo agora, que lhe era tão clara a percepção de que ele não era o que mostrava ainda assim, restava o mistério do que então, ele seria de fato. Isso ela não conseguia saber. Perplexa continuava a olhar, na esperança de que os pelos da barba não cortados lhe contassem algum segredo a mais. Bom dia Senhora, em que posso lhe ser útil? Passei para assinar os documentos que ainda faltam. Aqui estão. Certo. Aceita um café ou uma água. Não, obrigada, já terminei. Vou tentar resolver isso o mais rápido possível. Tenho certeza disso, tenha uma boa tarde! Boa tarde!
domingo, setembro 21
Novas paixões
Me perguntaram o que eu estava lendo.
Senti o sangue subir para o rosto e aquela sensação indescritível de comichão no rosto indicando muita vergonha. Respirei fundo, desatei o nó da garganta e respondi: nada!
Quase superado o constrangimento, fui tentar entender como isso tinha acontecido e, é claro, a resposta foi muito fácil: Eu tenho uma nova paixão! E, como boa geminiana que sou, esqueço facilmente os amores antigos diante de um novo encantamento.
Como disse, sabiamente, Cartola: “essas cordas de aço, este minúsculo braço, do violão que os dedos meus acariciam...” tornando me sua total prisioneira, apaixonadamente dedicada.
Não me importa muito que o resultado da minha paixão não seja acusticamente muito agradável, para mim, tem sido de um gozo contínuo, um amor sem dissabores...
E, sigo aqui, tocando para minha platéia invisível e ao mesmo tempo sentindo a música entrar em meus ouvidos e me tomar a alma, levando me ao Olimpo dos deuses gregos pecadores e cheios de prazeres... “Ah, este bojo perfeito, que trago junto ao meu peito, só você violão...”
Senti o sangue subir para o rosto e aquela sensação indescritível de comichão no rosto indicando muita vergonha. Respirei fundo, desatei o nó da garganta e respondi: nada!
Quase superado o constrangimento, fui tentar entender como isso tinha acontecido e, é claro, a resposta foi muito fácil: Eu tenho uma nova paixão! E, como boa geminiana que sou, esqueço facilmente os amores antigos diante de um novo encantamento.
Como disse, sabiamente, Cartola: “essas cordas de aço, este minúsculo braço, do violão que os dedos meus acariciam...” tornando me sua total prisioneira, apaixonadamente dedicada.
Não me importa muito que o resultado da minha paixão não seja acusticamente muito agradável, para mim, tem sido de um gozo contínuo, um amor sem dissabores...
E, sigo aqui, tocando para minha platéia invisível e ao mesmo tempo sentindo a música entrar em meus ouvidos e me tomar a alma, levando me ao Olimpo dos deuses gregos pecadores e cheios de prazeres... “Ah, este bojo perfeito, que trago junto ao meu peito, só você violão...”
sexta-feira, agosto 15

"Pegue um sorriso e doe-o a quem jamais o teve.
Pegue um raio de sol e faça-o voar lá onde reina a noite.
Descubra uma fonte e faça banhar-se quem vive no lodo.
Pegue uma lágrima e ponha-a no rosto de quem jamais chorou.
Pegue a coragem e ponha-a no ânimo de quem não sabe lutar.
Descubra a vida e narre-a a quem não sabe entendê-la.
Pegue a esperança e viva na sua luz.
Pegue a bondade e doe-a a quem não sabe doar.
Descubra o amor e faça-o conhecer ao mundo"
Mahatma Gandhi
quinta-feira, agosto 14
O que me faz falta
O que me faz falta mesmo é a certeza de não dormir até tarde no domingo...
Porque logo muito cedo, providencialmente as panelas vão estar ruidosamente caindo no chão e as portas batendo abruptamente assegurando que ninguém mais se mantenha em silêncio.
Sentir o cheiro daquela pessoa, que por ter no passado compartilhado o mesmo ventre que eu, tem comigo afinidades que nenhuma convivência explicaria. Ele já esta do meu lado, e tenta também atrapalhar meu sono desta manhã.
Ouvir a música, registrada desde a infância, que anuncia o inicio do programa televisivo matinal do domingo que papai sempre assistia, e, poder, então, correr de olhos fechados para a sala, na certeza de encontrar um amistoso colo, daquele que se divide entre uma olhadela para o livro na mão e outra para a tela da tevê.
O que me faz falta mesmo, não tem volta e me faria infeliz, não fosse a certeza absoluta de que alguns laços não se desfazem e que o passado que nos faz falta algum dia é aquele bem construído no presente.
O que eu sinto falta é daquela paz turbulenta.
A obrigatoriedade educacional da missa semanal, depois convenientemente esquecida,
Cheiro de pão de queijo ao despertar,
Copo d'agua na cama,
Pipoca de arroz da feira,
Tombo de bicicleta na praça,
Espaguete vermelho na cozinha,
Plantas podadas na varanda,
Gritos de amor e silêncio de repreensão,
Casa da árvore e perna rasgada,
Briga de irmão e afago na cabeça,
Febre, mimo e remédio ruim,
Jogo de bete no asfalto,
Ipê amarelo na vista da janela,
Historia de terror no escuro,
Caça às cigarras na primavera,
Cuidados de galinha choca.
Porque logo muito cedo, providencialmente as panelas vão estar ruidosamente caindo no chão e as portas batendo abruptamente assegurando que ninguém mais se mantenha em silêncio.
Sentir o cheiro daquela pessoa, que por ter no passado compartilhado o mesmo ventre que eu, tem comigo afinidades que nenhuma convivência explicaria. Ele já esta do meu lado, e tenta também atrapalhar meu sono desta manhã.
Ouvir a música, registrada desde a infância, que anuncia o inicio do programa televisivo matinal do domingo que papai sempre assistia, e, poder, então, correr de olhos fechados para a sala, na certeza de encontrar um amistoso colo, daquele que se divide entre uma olhadela para o livro na mão e outra para a tela da tevê.
O que me faz falta mesmo, não tem volta e me faria infeliz, não fosse a certeza absoluta de que alguns laços não se desfazem e que o passado que nos faz falta algum dia é aquele bem construído no presente.
O que eu sinto falta é daquela paz turbulenta.
A obrigatoriedade educacional da missa semanal, depois convenientemente esquecida,
Cheiro de pão de queijo ao despertar,
Copo d'agua na cama,
Pipoca de arroz da feira,
Tombo de bicicleta na praça,
Espaguete vermelho na cozinha,
Plantas podadas na varanda,
Gritos de amor e silêncio de repreensão,
Casa da árvore e perna rasgada,
Briga de irmão e afago na cabeça,
Febre, mimo e remédio ruim,
Jogo de bete no asfalto,
Ipê amarelo na vista da janela,
Historia de terror no escuro,
Caça às cigarras na primavera,
Cuidados de galinha choca.
domingo, maio 11
Mamãe coragem

Mamãe, mamãe não chore
A vida é assim mesmo eu fui embora
Mamãe, mamãe não chore
Eu nunca mais vou voltar por aí
Mamãe, mamãe não chore
A vida é assim mesmo eu quero mesmo é isto aqui
Mamãe, mamãe não chore
Pegue uns panos pra lavar, leia um romance
Veja as contas do mercado, pague as prestações
Ser mãe é desdobrar fibra por fibra os corações dos filhos
Seja feliz, seja feliz
Mamãe, mamãe não chore
Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz, Mamãe, seja feliz
Mamãe, mamãe não chore
Não chore nunca mais, não adianta eu tenho um beijo preso na garganta
Eu tenho um jeito de quem não se espanta (Braço de ouro vale 10 milhões)
Eu tenho corações fora peito
Mamãe, não chore, não tem jeito
Pegue uns panos pra lavar leia um romance
Leia "Elzira, a morta virgem", "O Grande Industrial"
Eu por aqui vou indo muito bem , de vez em quando brinco Carnaval
E vou vivendo assim: felicidade na cidade que eu plantei pra mim
E que não tem mais fim, não tem mais fim, não tem mais fim
(Caetano Veloso e Torquato Neto)
Essa Homenagem era imprescindível...
Há de se compreender esse amor um dia!
Clarissa
Ela se chamava Clarissa e pra onde eu for, sempre levarei a doce e leve lembrança de Clarissa vestida de verde, o vento a levar o cabelo negro e longo e a saia rodada e despretensiosa na altura dos joelhos. Clarissa olhava para frente mas, nunca soube exatamente qual era o mundo que ela via. Sei que era verde, cor de esperança, feliz e cheio de poesia tal como Clarissa.
Ela se chamava Clarissa e eu sempre a admirei muito. Daquelas admirações que fazem a gente ter vontade de ser igual quando crescer. Crescer sempre foi um processo que reneguei apesar de Clarissa tentar me ensinar que crescer, apesar de doer, era bom, necessário e inevitável. Eu continuava me negando à maturidade e Clarissa então, brincava comigo.
Um dia Clarissa chorou. No dia que Clarissa chorou ela escolheu o meu ombro, que era imaturo, egoísta e cheio de defeitos, para secar suas lágrimas. Esse dia minha alma chorou junto e eu aprendi que o mundo faz até os anjos sofrerem. E foi Clarissa quem me consolou mais uma vez.
Ela se chamava Clarissa e um dia ela cresceu. No dia que se tornou mulher aos meus olhos, Clarissa usava uma flor vermelha no cabelo negro e curto. E mais uma vez eu quis ser igual a Clarissa quando crescesce. Clarissa via então, um mundo cor de rosa, ainda cheio de esperança e apesar de doloroso, feliz.
Foi Clarissa quem não me deixou esquecer que eu amava todas as coisas bonitas do mundo e que elas me faziam feliz. E ai, comecei a perceber que estava cercada de coisas bonitas, até nas que pareciam tristes e cruéis.
Um dia eu resolvi que precisava crescer mas, não sabia por onde seguir. Neste dia, ela, que se chamava Clarissa, me deu um xale azul para me proteger do frio e das lágrimas no caminho. Hoje, tenho visto o mundo em tons que variam do fosco azul dos dias nublados ao azul brilhante do mar sob o sol que tanto amo. Ainda não cresci mas, continuo querendo ser igual a Clarissa .
Ela se chamava Clarissa e eu sempre a admirei muito. Daquelas admirações que fazem a gente ter vontade de ser igual quando crescer. Crescer sempre foi um processo que reneguei apesar de Clarissa tentar me ensinar que crescer, apesar de doer, era bom, necessário e inevitável. Eu continuava me negando à maturidade e Clarissa então, brincava comigo.
Um dia Clarissa chorou. No dia que Clarissa chorou ela escolheu o meu ombro, que era imaturo, egoísta e cheio de defeitos, para secar suas lágrimas. Esse dia minha alma chorou junto e eu aprendi que o mundo faz até os anjos sofrerem. E foi Clarissa quem me consolou mais uma vez.
Ela se chamava Clarissa e um dia ela cresceu. No dia que se tornou mulher aos meus olhos, Clarissa usava uma flor vermelha no cabelo negro e curto. E mais uma vez eu quis ser igual a Clarissa quando crescesce. Clarissa via então, um mundo cor de rosa, ainda cheio de esperança e apesar de doloroso, feliz.
Foi Clarissa quem não me deixou esquecer que eu amava todas as coisas bonitas do mundo e que elas me faziam feliz. E ai, comecei a perceber que estava cercada de coisas bonitas, até nas que pareciam tristes e cruéis.
Um dia eu resolvi que precisava crescer mas, não sabia por onde seguir. Neste dia, ela, que se chamava Clarissa, me deu um xale azul para me proteger do frio e das lágrimas no caminho. Hoje, tenho visto o mundo em tons que variam do fosco azul dos dias nublados ao azul brilhante do mar sob o sol que tanto amo. Ainda não cresci mas, continuo querendo ser igual a Clarissa .
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