domingo, maio 11

Mamãe coragem




Mamãe, mamãe não chore
A vida é assim mesmo eu fui embora
Mamãe, mamãe não chore
Eu nunca mais vou voltar por aí
Mamãe, mamãe não chore
A vida é assim mesmo eu quero mesmo é isto aqui
Mamãe, mamãe não chore
Pegue uns panos pra lavar, leia um romance
Veja as contas do mercado, pague as prestações
Ser mãe é desdobrar fibra por fibra os corações dos filhos
Seja feliz, seja feliz
Mamãe, mamãe não chore
Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz, Mamãe, seja feliz
Mamãe, mamãe não chore
Não chore nunca mais, não adianta eu tenho um beijo preso na garganta
Eu tenho um jeito de quem não se espanta (Braço de ouro vale 10 milhões)
Eu tenho corações fora peito
Mamãe, não chore, não tem jeito
Pegue uns panos pra lavar leia um romance
Leia "Elzira, a morta virgem", "O Grande Industrial"
Eu por aqui vou indo muito bem , de vez em quando brinco Carnaval
E vou vivendo assim: felicidade na cidade que eu plantei pra mim
E que não tem mais fim, não tem mais fim, não tem mais fim

(Caetano Veloso e Torquato Neto)

Essa Homenagem era imprescindível...
Há de se compreender esse amor um dia!

Clarissa

Ela se chamava Clarissa e pra onde eu for, sempre levarei a doce e leve lembrança de Clarissa vestida de verde, o vento a levar o cabelo negro e longo e a saia rodada e despretensiosa na altura dos joelhos. Clarissa olhava para frente mas, nunca soube exatamente qual era o mundo que ela via. Sei que era verde, cor de esperança, feliz e cheio de poesia tal como Clarissa.
Ela se chamava Clarissa e eu sempre a admirei muito. Daquelas admirações que fazem a gente ter vontade de ser igual quando crescer. Crescer sempre foi um processo que reneguei apesar de Clarissa tentar me ensinar que crescer, apesar de doer, era bom, necessário e inevitável. Eu continuava me negando à maturidade e Clarissa então, brincava comigo.
Um dia Clarissa chorou. No dia que Clarissa chorou ela escolheu o meu ombro, que era imaturo, egoísta e cheio de defeitos, para secar suas lágrimas. Esse dia minha alma chorou junto e eu aprendi que o mundo faz até os anjos sofrerem. E foi Clarissa quem me consolou mais uma vez.
Ela se chamava Clarissa e um dia ela cresceu. No dia que se tornou mulher aos meus olhos, Clarissa usava uma flor vermelha no cabelo negro e curto. E mais uma vez eu quis ser igual a Clarissa quando crescesce. Clarissa via então, um mundo cor de rosa, ainda cheio de esperança e apesar de doloroso, feliz.
Foi Clarissa quem não me deixou esquecer que eu amava todas as coisas bonitas do mundo e que elas me faziam feliz. E ai, comecei a perceber que estava cercada de coisas bonitas, até nas que pareciam tristes e cruéis.
Um dia eu resolvi que precisava crescer mas, não sabia por onde seguir. Neste dia, ela, que se chamava Clarissa, me deu um xale azul para me proteger do frio e das lágrimas no caminho. Hoje, tenho visto o mundo em tons que variam do fosco azul dos dias nublados ao azul brilhante do mar sob o sol que tanto amo. Ainda não cresci mas, continuo querendo ser igual a Clarissa .