Em uma semana e três encontros você fez parte de minha vida inteira e eu já não conseguia me lembrar de como era antes de você. No primeiro dia eu não sabia o que esperar, no segundo me deixei apaixonar e no terceiro tive a assustadora sensação de que teu cheiro fazia parte de mim.
Em uma semana e três encontros eu te conhecia desde a muito e a cumplicidade das risadas me agradava. A conversa não seria mais natural para antigos amigos e melhores histórias não seriam compartilhadas por irmãos.
Em uma semana e três encontros você me amou e quando me tocou parecia fazer do meu corpo tua casa e nela conhecer todos os esconderijos.
Em uma semana e três encontros eu te amei por toda a minha vida.
De tempos em tempos: meu pequeno universo de desabafos e alucinações; a persistência de meus sonhos de poesia, o escape da racionalização e incoerência maçantes, meu espelho da contínua revolução pessoal.
domingo, outubro 26
sábado, outubro 11
By Li - Novas pessoas surgindo e me lembrando a magia dos encontros e dos desencontros...
"Cigarras são bichos interessantes, não havia pensado como se protegem e se mostram ao mesmo tempo. Mas só cantam no fim da tarde.
E também trocam a pele.
Como nós..."
E também trocam a pele.
Como nós..."
quarta-feira, outubro 8
Amiga Irmã

Eu chorei quando você me chamou de amiga-irmã.
Sei que não deves ter notado afinal, não chorei com lágrimas que molhassem o rosto, chorei com o sentimento que afoga a alma... E como sabes, quase melhor que eu mesma, aprendi a disfarçar com sorrisos minhas piores dores, mas, felizmente, agora, com sorrisos também, demonstro alegrias. Naquele momento eu não esperava e não podia compreender tal declaração. Tentei imaginar a dimensão do seu significado e quis te dizer que não, que eu não podia... mas de tão atordoada, as palavras não se formulavam e amordaçada pela emoção, me calei.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
Você não sabe mas, por vários dias essas palavras ecoaram de forma ensurdecedora e te digo, que ainda ecoam embora agora, suavemente. Me senti tão orgulhosa mas, foi tamanha responsabilidade que quase não suportei o peso. O que sei também é que apesar de ter medo, a honra de tal título fez me aquele dia a mais feliz das amigas e... das irmãs.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
Sei e sinto o que é o “querer bem” de um irmão... A deliciosa sensação de segurança deste amor. É como se, apesar de crescer, viver, escolher, discordar, destoar mantivéssemos sempre os laços traçados no início da nossa existência. Ser irmão é dispensar quaisquer outros tipos de afinidades e respeitar qualquer diferença.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
Ser amigo por sua vez, de tal complexidade é que não me atreveria a tentar explicar logo a ti, com minhas mal sucedidas palavras embora, possa compreender perfeitamente a nobreza do significado. É que, (faça me o obsequio de perdoar o lugar comum) ser amigo é optar. É, em um universo infinito de pessoas, escolher uma a quem amar e com quem compartilhar. É receber o grande prêmio da loteria de no meio de toda essa gente, se encontrar uma alma aparentada.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
Amiga-irmã é que me atordoa. De tão grande e tão belo me parece inatingível! E, de tanto pensar lembro me como fostes capaz de se doar. Doaste a ti e quando me senti sozinha me cedeu teus próprios amigos. Quando não tive casa, me deste a tua e para que me sentisse mais a vontade me emprestaste tua família. Quando quis chorar passou a mão em minha cabeça ainda que para isso, segurasse as próprias lágrimas. Quando errei, me disse a verdade e, me ensinou limites. Quando fez piadas, me transmitiu por olhar seu segundo sentido e me ensinou a tentar te entender ainda que sem palavras. Quando querias dormir, me fez companhia. Quando querias sim, disse que não e quando queria não, disses que sim. De vez em quando me mostrou que eu era ridícula. Amou junto comigo e depois teve raiva também. Sonhou os meus mesmos sonhos embora pra ti não fizessem sentido.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
O que te digo agora minha querida é que espero, modestamente, fazer jus ao posto. E admiro-te uma vez mais: por agora ter colocado nome ao que és tu para mim: minha amiga-irmã!
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da série - mulheres da minha vida
domingo, outubro 5
Contos Inacabados - Parte I
Já o encontrara algumas vezes mas, apesar de sempre o ter visto nunca o havia notado.
Não o fizera por pretensão mas, por distração mesmo. A mesma distração que a guiava em todas as atividades desinteressantes do cotidiano e lhe permitia poupar sua concentração para o que realmente importava. No entanto, aquele dia, percebeu que talvez sua atenção fosse, ao contrário do que imaginava, mais perspicaz do que ela mesmo. De repente, se deu conta de que sempre reparara... Reparara no tom de voz controlado, reservado e ameno; as palavras educadas e impessoais; o cheiro de perfume convenientemente agradável, o sorriso apropriado, o olhar direto mas algo vazio. Reparara nas unhas cortadas e limpas; a camisa de corte adequado e bem passada com seus punhos abotoados e a gola engomada; os sapatos sociais perfeitamente limpos.
Entrou despretensiosamente no escritório, trajando sua própria carapaça de boa moça afim de resolver algum tipo de problema do qual não se lembraria em breve.
Ele estava ocupado. Notou em sua mesa alguém, em quem não reparou, e que era atenciosamente atendido. Resolveu tomar um café enquanto aguardava. Não tinha a intenção mas, viu algo: a barba por fazer, algum grau de boêmia mal disfarçada.Olhou com mais atenção e, sim, não se enganara: a barba por fazer! Desistiu do café, ficou intrigada, olhou mais uma vez... Ele coçava o rosto, incomodado pela falta de costume dos pelos diariamente cortados e que em vingança agora o martirizavam. Tentou prestar mais atenção, procurou olheiras de noite mal dormida, resquícios de conversas interessantes, um brilho no olhar que o traísse, um sinal de saudade nos lábios, mas, nada! Só a barba por fazer. Ainda assim, não lhe restava dúvidas: era um sinal claro da liberdade daquela alma rebelde que o traía agora na barba por fazer. A surpresa a paralisava. Como não percebera antes?! E agora, era tão óbvio: reconhecia-o! Súbito, reconhecia-o sob a farsa do bom comportamento diário a mascarar algo que ia além disso. E, era a estratégia tão semelhante a sua própria que a enganou em todos os encontros que se passaram. Sentiu raiva, raiva porque mesmo agora, que lhe era tão clara a percepção de que ele não era o que mostrava ainda assim, restava o mistério do que então, ele seria de fato. Isso ela não conseguia saber. Perplexa continuava a olhar, na esperança de que os pelos da barba não cortados lhe contassem algum segredo a mais. Bom dia Senhora, em que posso lhe ser útil? Passei para assinar os documentos que ainda faltam. Aqui estão. Certo. Aceita um café ou uma água. Não, obrigada, já terminei. Vou tentar resolver isso o mais rápido possível. Tenho certeza disso, tenha uma boa tarde! Boa tarde!
Não o fizera por pretensão mas, por distração mesmo. A mesma distração que a guiava em todas as atividades desinteressantes do cotidiano e lhe permitia poupar sua concentração para o que realmente importava. No entanto, aquele dia, percebeu que talvez sua atenção fosse, ao contrário do que imaginava, mais perspicaz do que ela mesmo. De repente, se deu conta de que sempre reparara... Reparara no tom de voz controlado, reservado e ameno; as palavras educadas e impessoais; o cheiro de perfume convenientemente agradável, o sorriso apropriado, o olhar direto mas algo vazio. Reparara nas unhas cortadas e limpas; a camisa de corte adequado e bem passada com seus punhos abotoados e a gola engomada; os sapatos sociais perfeitamente limpos.
Entrou despretensiosamente no escritório, trajando sua própria carapaça de boa moça afim de resolver algum tipo de problema do qual não se lembraria em breve.
Ele estava ocupado. Notou em sua mesa alguém, em quem não reparou, e que era atenciosamente atendido. Resolveu tomar um café enquanto aguardava. Não tinha a intenção mas, viu algo: a barba por fazer, algum grau de boêmia mal disfarçada.Olhou com mais atenção e, sim, não se enganara: a barba por fazer! Desistiu do café, ficou intrigada, olhou mais uma vez... Ele coçava o rosto, incomodado pela falta de costume dos pelos diariamente cortados e que em vingança agora o martirizavam. Tentou prestar mais atenção, procurou olheiras de noite mal dormida, resquícios de conversas interessantes, um brilho no olhar que o traísse, um sinal de saudade nos lábios, mas, nada! Só a barba por fazer. Ainda assim, não lhe restava dúvidas: era um sinal claro da liberdade daquela alma rebelde que o traía agora na barba por fazer. A surpresa a paralisava. Como não percebera antes?! E agora, era tão óbvio: reconhecia-o! Súbito, reconhecia-o sob a farsa do bom comportamento diário a mascarar algo que ia além disso. E, era a estratégia tão semelhante a sua própria que a enganou em todos os encontros que se passaram. Sentiu raiva, raiva porque mesmo agora, que lhe era tão clara a percepção de que ele não era o que mostrava ainda assim, restava o mistério do que então, ele seria de fato. Isso ela não conseguia saber. Perplexa continuava a olhar, na esperança de que os pelos da barba não cortados lhe contassem algum segredo a mais. Bom dia Senhora, em que posso lhe ser útil? Passei para assinar os documentos que ainda faltam. Aqui estão. Certo. Aceita um café ou uma água. Não, obrigada, já terminei. Vou tentar resolver isso o mais rápido possível. Tenho certeza disso, tenha uma boa tarde! Boa tarde!
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