quarta-feira, outubro 8

Amiga Irmã


Eu chorei quando você me chamou de amiga-irmã.
Sei que não deves ter notado afinal, não chorei com lágrimas que molhassem o rosto, chorei com o sentimento que afoga a alma... E como sabes, quase melhor que eu mesma, aprendi a disfarçar com sorrisos minhas piores dores, mas, felizmente, agora, com sorrisos também, demonstro alegrias. Naquele momento eu não esperava e não podia compreender tal declaração. Tentei imaginar a dimensão do seu significado e quis te dizer que não, que eu não podia... mas de tão atordoada, as palavras não se formulavam e amordaçada pela emoção, me calei.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
Você não sabe mas, por vários dias essas palavras ecoaram de forma ensurdecedora e te digo, que ainda ecoam embora agora, suavemente. Me senti tão orgulhosa mas, foi tamanha responsabilidade que quase não suportei o peso. O que sei também é que apesar de ter medo, a honra de tal título fez me aquele dia a mais feliz das amigas e... das irmãs.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
Sei e sinto o que é o “querer bem” de um irmão... A deliciosa sensação de segurança deste amor. É como se, apesar de crescer, viver, escolher, discordar, destoar mantivéssemos sempre os laços traçados no início da nossa existência. Ser irmão é dispensar quaisquer outros tipos de afinidades e respeitar qualquer diferença.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
Ser amigo por sua vez, de tal complexidade é que não me atreveria a tentar explicar logo a ti, com minhas mal sucedidas palavras embora, possa compreender perfeitamente a nobreza do significado. É que, (faça me o obsequio de perdoar o lugar comum) ser amigo é optar. É, em um universo infinito de pessoas, escolher uma a quem amar e com quem compartilhar. É receber o grande prêmio da loteria de no meio de toda essa gente, se encontrar uma alma aparentada.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
Amiga-irmã é que me atordoa. De tão grande e tão belo me parece inatingível! E, de tanto pensar lembro me como fostes capaz de se doar. Doaste a ti e quando me senti sozinha me cedeu teus próprios amigos. Quando não tive casa, me deste a tua e para que me sentisse mais a vontade me emprestaste tua família. Quando quis chorar passou a mão em minha cabeça ainda que para isso, segurasse as próprias lágrimas. Quando errei, me disse a verdade e, me ensinou limites. Quando fez piadas, me transmitiu por olhar seu segundo sentido e me ensinou a tentar te entender ainda que sem palavras. Quando querias dormir, me fez companhia. Quando querias sim, disse que não e quando queria não, disses que sim. De vez em quando me mostrou que eu era ridícula. Amou junto comigo e depois teve raiva também. Sonhou os meus mesmos sonhos embora pra ti não fizessem sentido.
Amiga-irmã, amiga-irmã, amiga-irmã...
O que te digo agora minha querida é que espero, modestamente, fazer jus ao posto. E admiro-te uma vez mais: por agora ter colocado nome ao que és tu para mim: minha amiga-irmã!

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