quarta-feira, agosto 22

Bee

Quando me propus a organizar a série “mulheres da minha vida” foi nela em que pensei primeiro e para ela quis escrever. Especialmente esse texto eu nunca consegui terminar apesar de inumeráveis vezes tê-lo começado. Ainda agora sofro com o texto que deveria ser e não é e, por não ser, tanto me angustia. Queria, em palavras charmosas, te dizer que me apaixonei pela mulher de sagitário, me enfeiticei pelo cabelo ruivo, me encantei com sua eterna busca, me ofusquei com seu brilhantismo. Queria, de forma interessante, te contar como amava seu humor irônico e seu olhar sagaz, que sua verdade lancinante torturava minha alma, que sua dor sincera me enfraquecia e sua risada me acalmava o espírito. Queria, em poesia, te definir. Tu que é toda em vermelho: vermelho-fogo, vermelho-sangue, vermelho-fênix, vermelho-paixão, vermelho por-do-sol. Queria, melancolicamente, te confessar que quando te tive forte me amparei e quando te tive humana me desesperei. Queria, de forma singular, te explicar o amor e a inveja, a saudade e a presença, a admiração e a subserviência. No entanto, de tanto querer dizer, me calo e me recolho... Ao sofrimento dos incapazes.

quinta-feira, julho 19

meu Destino

Eu te disse: se você pudesse imaginar o que aconteceu naqueles dias. Você novamente pediu desculpas dizendo que foi um desencontro. Te acalmei e falei que não importava mais, fora apenas uma obra do destino e agora nada mais que uma história engraçada. Sorrindo, você me perguntou o que acontecera. Sorrindo, eu não quis te contar... tive ciúmes do meu segredo com o Destino. Conheci o Destino desenhado no teu corpo. Naquele momento, me encantei, não por você, pelo Destino. Percebi que poderia ser para ele um brinquedo, inconsequentemente, estava à sua mercê e me permitiria o que ele quisesse. Não era ele o meu destino, era eu o teu joguete. Assim, construímos nossa história. Eu, cega e o Destino, sarcástico. Sofri. Mas de tão apaixonada, ele me iludia sem esforço e eu me entregava novamente. Eu perguntava seus intentos e ele, malicioso, negava. Implorava pela tranquilidade e, ele me batia como um furacão. Pedia pela emoção e ele me angustiava com o tédio. Quando me revoltei ele disse tudo bem, tenha o que desejar. Eu disse não, implorei, chorei, pedi que voltasse e fosse rei da minha vida. O Destino, tantas vezes me fez feliz quanto me fez desesperada e, eu faminta, faminta pelo Destino. Eu te engano porque sou do Destino e faço o que lhe satisfaz. Quando disse que te amava eu mentia, porque o Destino mandou. E quando te deixei, não pense que não sofri, mas, assim o quis o Destino, senhor de minha vida. E, sigo, dia após dia, a mercê de Seus caprichos, escrava do Destino.

sábado, junho 16

Súbito: seus olhos

Mais por curiosidade que por saudade, há tempos que te procuro e me pego em joguetes ao imaginar como você seria hoje. Parece que faz tanto tempo e que eramos somente crianças, no entanto, ainda me sinto uma criança apesar de saber que já não sou mais a mesma. E, por me imaginar tão mudada tento adivinhar suas mudanças. Divagando, vários anônimos, por uma fração de segundo, já foram você: o dorso de um ciclista, as mãos de um acordeonista, o perfil de qualquer pacifista, o sorriso de um belo rosto, o cheiro de um transeunte. Em um dia qualquer eu nem me lembrava, mas, súbito: seus olhos! Inebriada pela confusão, perdida no tumulto: angústia, calor, barulho e, ao longe, seus olhos. Mais uma vez: seus olhos! Teu olhar por um instante, encontrou o meu e, incrédulo você procurou novamente mas eu não estava mais ao seu alcance. Segui meu caminho. Não é que eu fugisse, eu apenas não precisava de nada mais que um segundo do teu olhar e, com um segundo do teu olhar te compreendi. Súbito, fugaz e vivo reconheci no teu olhar a mesma ansiedade inquietante daqueles que não precisam se adequar ao mundo real e, tive paz. Com a certeza da história vivida, do sentimento real e do fim necessário segui meu caminho, com um leve sorriso nos lábios.

sexta-feira, março 23

Mais um para ela

Porque é a lembrança dela que não me permite desistir do blog apesar de tê-lo abandonado.
Porque, ela tem tanta poesia na alma, que todo o amor gerado se expande em uma brilhante escudo para protegê-la de tudo o que é mau.

Porque ninguém, nunca, disse tanto de mim em tão poucas palavras é que me dou ao direito de roubar teu texto para te homenagear mais uma vez nesse blog.


Fazia anos que não se viam. Ainda de longe seus olhares se encontraram. Desta vez foram os olhos dele que a procuraram. Ao se aproximarem, continuaram uma conversa nunca antes começada.

Ele: Posso te perguntar uma última coisa?
Ela (com um leve sorriso nos lábios) : Claro!
Ele: Você me amou?
Ela(ainda sorrindo): Te amei de uma maneira como nunca havia amado. Te amei de maneira ardentemente doce, suavemente intensa e radicalmente tolerante.
Ele (sorrindo): E você se arrepende?
Ela: De quê?
Ele: De tudo o que não vivemos juntos?
Ela: Não posso me arrepender, porque te amar me fez um bem danado.
Ele (ligeiramente assustado): É? Como assim?
Ela: Nosso amor não vivido me fez mais mulher e mais humana do que todos os outros amores vividos que tive.

E saíram caminhando tranquilamente de braços dados.


http://www.posologiapoetica.blogspot.com.br/

quinta-feira, março 1

Verdana

Verdana não é a minha fonte preferida. É a dela. Não me recordo, já faz tanto tempo, parece que desde sempre escrevo em Verdana. E, sempre que seleciono a fonte escolhida, pois é preciso escolhê-la (como outras coisas importantes da vida, tem que se fazer a opção por), me sinto tão perto e, a saudade se aquieta. A cada caracter digitado, me lembro do seu olhar argumentativo e sua constrangedora liberdade de não ser rebelde. Sei que é uma homenagem boba, inocente até. E, sei que não adianta nada. Mais digno seria um telefonema que fosse, pra por um minuto sair da realidade claustrofóbica e lhe lembrar minha amizade.
Porém, sigo escrevendo em Verdana, eu gosto e é mais fácil.

sexta-feira, fevereiro 17

Lembranças (para mudar de assunto)

Quando você me disse que eu era a mulher da sua vida eu sabia que agora, em caminhos tão distantes, não voltaríamos mais a nos encontrar e, ainda que nos encontrássemos não seríamos mais as pessoas daquela despretensiosa noite de outono embebecidas em conversas intencionais. Senti uma melancolia que me fez sorrir. Minha melancolia era movida pelo medo de que tivesse acontecido e, se tivesse acontecido, amortecidos pelo peso da realização do desejo e entediados pelo prazer inerte da realidade então, teríamos caído.
É que nos foi dada a graça da não realização do amor. E, junto à não realização, ficou a eterna curiosidade do teu cheiro e a imaginação torturante do teu sabor confundidos com as lembranças do que não aconteceu.
Quando você me disse que eu era a mulher da sua vida eu soube que nunca fui, mas, descobri que adorava a sensação de acreditar que sim e de imaginar o que poderia ter sido para depois deixar de ser. Afinal, sempre tive mesmo um carinho especial pelos amores não realizados. E, quando meu coração repousa calmo e feliz no abraço do amor concretizado, são com os amores que poderiam ter sido que me delicio nos meus mais solitários sonhos.

terça-feira, fevereiro 14

Sempre ela

Ela me disse que era só desespero e pediu para que ficasse por perto mas, ainda que sem querer, tranquilizou meu coração.
Ela sentia dor mas, naturalmente, me acalentou.
Ela percebeu que era um momento trágico, sorriu e distraiu minha preocupação.
Ela estava tão cansada mas, bocejando, falou que eu deveria voltar a escrever.
E eu sempre tão feliz, tão plena e tão satisfeita... percebi que há tanto não escrevia, e por há tanto não escrever havia perdido o hábito e, que as palavras me sumiam... e, que escrever era parte de mim... e, que isso fazia falta!