Quando você me disse que eu era a mulher da sua vida eu sabia que agora, em caminhos tão distantes, não voltaríamos mais a nos encontrar e, ainda que nos encontrássemos não seríamos mais as pessoas daquela despretensiosa noite de outono embebecidas em conversas intencionais. Senti uma melancolia que me fez sorrir. Minha melancolia era movida pelo medo de que tivesse acontecido e, se tivesse acontecido, amortecidos pelo peso da realização do desejo e entediados pelo prazer inerte da realidade então, teríamos caído.
É que nos foi dada a graça da não realização do amor. E, junto à não realização, ficou a eterna curiosidade do teu cheiro e a imaginação torturante do teu sabor confundidos com as lembranças do que não aconteceu.
Quando você me disse que eu era a mulher da sua vida eu soube que nunca fui, mas, descobri que adorava a sensação de acreditar que sim e de imaginar o que poderia ter sido para depois deixar de ser. Afinal, sempre tive mesmo um carinho especial pelos amores não realizados. E, quando meu coração repousa calmo e feliz no abraço do amor concretizado, são com os amores que poderiam ter sido que me delicio nos meus mais solitários sonhos.
De tempos em tempos: meu pequeno universo de desabafos e alucinações; a persistência de meus sonhos de poesia, o escape da racionalização e incoerência maçantes, meu espelho da contínua revolução pessoal.
sexta-feira, fevereiro 17
terça-feira, fevereiro 14
Sempre ela
Ela me disse que era só desespero e pediu para que ficasse por perto mas, ainda que sem querer, tranquilizou meu coração.
Ela sentia dor mas, naturalmente, me acalentou.
Ela percebeu que era um momento trágico, sorriu e distraiu minha preocupação.
Ela estava tão cansada mas, bocejando, falou que eu deveria voltar a escrever.
E eu sempre tão feliz, tão plena e tão satisfeita... percebi que há tanto não escrevia, e por há tanto não escrever havia perdido o hábito e, que as palavras me sumiam... e, que escrever era parte de mim... e, que isso fazia falta!
Ela sentia dor mas, naturalmente, me acalentou.
Ela percebeu que era um momento trágico, sorriu e distraiu minha preocupação.
Ela estava tão cansada mas, bocejando, falou que eu deveria voltar a escrever.
E eu sempre tão feliz, tão plena e tão satisfeita... percebi que há tanto não escrevia, e por há tanto não escrever havia perdido o hábito e, que as palavras me sumiam... e, que escrever era parte de mim... e, que isso fazia falta!
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