De tempos em tempos: meu pequeno universo de desabafos e alucinações; a persistência de meus sonhos de poesia, o escape da racionalização e incoerência maçantes, meu espelho da contínua revolução pessoal.
sábado, junho 16
Súbito: seus olhos
Mais por curiosidade que por saudade, há tempos que te procuro e me pego em joguetes ao imaginar como você seria hoje.
Parece que faz tanto tempo e que eramos somente crianças, no entanto, ainda me sinto uma criança apesar de saber que já não sou mais a mesma. E, por me imaginar tão mudada tento adivinhar suas mudanças. Divagando, vários anônimos, por uma fração de segundo, já foram você: o dorso de um ciclista, as mãos de um acordeonista, o perfil de qualquer pacifista, o sorriso de um belo rosto, o cheiro de um transeunte.
Em um dia qualquer eu nem me lembrava, mas, súbito: seus olhos! Inebriada pela confusão, perdida no tumulto: angústia, calor, barulho e, ao longe, seus olhos. Mais uma vez: seus olhos! Teu olhar por um instante, encontrou o meu e, incrédulo você procurou novamente mas eu não estava mais ao seu alcance. Segui meu caminho. Não é que eu fugisse, eu apenas não precisava de nada mais que um segundo do teu olhar e, com um segundo do teu olhar te compreendi. Súbito, fugaz e vivo reconheci no teu olhar a mesma ansiedade inquietante daqueles que não precisam se adequar ao mundo real e, tive paz. Com a certeza da história vivida, do sentimento real e do fim necessário segui meu caminho, com um leve sorriso nos lábios.
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